quarta-feira, 5 de agosto de 2009

As Duas Testemunhas - Apocalipse 11

IMPORTANTE: O texto a seguir é de autoria de William Hendriksen (1900/1982). Renomado pastor, professor e autor de diversos comentários bíblicos, foi uma das maiores autoridades da atualidade na escatologia cristã.

As duas Testemunhas.

A verdadeira Igreja é agora representada pelo símbolo das duas testemunhas. Essas testemunhas simbolizam a Igreja militante dando testemunho por meio dos seus ministros e missionários ao longo de toda a presente dispensação. O fato de que são duas testemunhas enfatiza a tarefa missionária da Igreja (cf. Lc 10:1). O Senhor envia seus missionários dois a dois; o que falta a um o outro supre.
Agora, a Igreja como organização, funcionando por meio de seus ministros e missionários, desenvolverá seu trabalho por 1.260 dias.
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Esse é o período que se estende do momento da ascensão de Cristo até quase o dia do juízo final (cf. Ap 12:5,6,14). Trata-se, sem dúvida, do equivalente exato de 42 meses, pois 42 vezes 30 é 1.260 – e de “um tempo, tempos e metade de um tempo”, que são três anos e meio (Ap 12:14). É o período de aflições, a presente era do evangelho. Pode surgir a questão: Por que esse período é agora expresso em termos de meses (verso 2), depois em termos de dias (verso 3)? Aqui a nossa resposta é uma suposição: no verso 2 temos a figura de uma cidade sendo sitiada e, finalmente, tomada e pisoteada. A duração do sítio de uma cidade é geralmente expressa em termos de meses. No verso 3, entretanto, as duas testemunhas são descritas profetizando; essa é uma atividade diária. Elas testemunham a cada dia, pela dispensação inteira. Elas pregam o arrependimento, razão pela qual se vestem de saco.
Para que tenhamos uma visão nítida da figura da Igreja como uma poderosa organização missionária por toda a presente era do evangelho, ela é aqui descrita num quádruplo simbolismo.
Primeiro, assim como “as duas oliveiras e os dois candeeiros”, Josué e Zorobabel (?) (cf. Zc 4), representavam os ofícios pelos quais Deus abençoou Israel, assim durante a era do evangelho ele abençoa sua Igreja por meio de ofícios, a saber, a pregação da Palavra e o ministério de sacramentos.
Segundo, tal como os missionários saíram dois a dois (Lc 10:1), assim através da era do evangelho a Igreja, como uma organização, cumpre sua missão no mundo.
Terceiro, assim como o fogo do julgamento e da condenação saiu da boca de Jeremias para devorar os inimigos de Deus (Jr 5:14), assim também quando a Igreja de hoje, por meio dos seus ofícios, condena o ímpio, com base na Palavra de Deus, essa condenação realmente resulta em sua destruição (Mt 18:18).
Quarto, tal como Elias recebeu poder para fechar os céus de modo que não chovesse (1ºRs 17:1), e tal como Moisés recebeu autoridade para tornar as águas em sangue (Ex 7:20), também assim o poderoso ministério da Igreja desta presente época, no caso de sua mensagem ser rejeitada, tem de julgar e condenar o mundo.
Esse poder não é imaginário, mas muito real. O Senhor não apenas derrama desgraças sobre o mundo iníquo em resposta às orações dos santos perseguidos (8:3-5), mas também assegura à Igreja que, sempre que ela estiver engajada no ofício oficial da Palavra e verdadeira diante do mundo, seus julgamentos serão os seus julgamentos (Mt 16:19; 18:18,19; Jo 20:21-23).
Na verdade, num sentido moral, a Igreja ainda golpeia a terra com cada praga! O mundo iníquo deveria ser cauteloso, pois se alguém está firmemente determinado a prejudicar a Igreja, contra ele sai o fogo da boca das testemunhas de Deus.
Se alguém pretender [1] causar dano aos verdadeiros ministros e missionários, será igualmente destruído (verso 5).
Esta era do evangelho, contudo, chegará ao final (cf. Mt 24:14). A Igreja, como poderosa organização missionária, findará seu testemunho. A besta que sobe do abismo, isto é, o mundo anticristão, movido pelo inferno, pelejará contra a Igreja e a destruirá. Esta é a batalha do Armagedom. A besta não marará todos os crentes. Haverá crentes na terra quando Cristo voltar, embora sejam um pequeno número (Lc 18:8). Mas a Igreja, como poderosa organização missionária e para a disseminação do evangelho e o ministério da Palavra, será destruída. Como ilustração, pense na condição do comunismo na China no presente tempo; certamente, há crentes sinceros ali, mas e quanto à proclamação poderosa, oficial, aberta e pública e à disseminação do evangelho? E não é essa a condição que se espalha em outros países? Assim, logo antes da segunda vinda, o cadáver da Igreja, cujo testemunho oficial e público foi silenciado e sufocado pelo mundo, está tombado na praça da grande cidade. Esta é a praça da Jerusalém imoral e anticristã. Jerusalém crucificou o Senhor. Por causa de sua imoralidade e perseguição dos santos ela se tornou, espiritualmente, como Sodoma e Egito (cf. Is 1:10; 3:9; Jr 23:14; Ez 16:46). Tornou-se símbolo da Babilônia e da totalidade do mundo imoral e anticristão. Assim, quando lemos que o cadáver da Igreja está jogado na praça da grande cidade, [2] isso quer dizer, simplesmente, que a Igreja está morta no meio do mundo: ela não mais existe como instituição de influência e de poder missionário! Seus líderes foram mortos; sua voz foi silenciada. Essa condição dura três dias e meio, o que é um breve período (Mt 24:22; cf. Ap 20:7-9). O mundo nem mesmo permite que os corpos das testemunhas sejam enterrados. Esses corpos estão jogados nas praças, expostos aos insetos, aves e cães. O mundo faz um grande piquenique: ele celebra! As pessoas enviam presentes umas às outras e tripudiam sobre as testemunhas (cf. Et 9:22).
Sua palavra não os atormenta mais. Mundo estulto! Sua alegria é prematura.
Os cadáveres, de repente, começam a se mexer; o fôlego de vida de Deus entrou neles; as testemunhas se põem em pé. Em conexão com a segunda vinda de Cristo a Igreja é restaurada à vida, à honra, ao poder, à influência. Para o mundo, a hora da oportunidade se foi. No dia do juízo, quando o mundo verá a Igreja restaurada à honra e à glória, o mundo ficará paralisado de medo. A Igreja – ainda sob o simbolismo das duas testemunhas – agora ouve a voz: “Subi para aqui”. Imediatamente a Igreja ascende ao céu numa nuvem de glória. “E seus inimigos a contemplaram.” Não se trata de um arrebatamento secreto.
Agora, outra vez dirigimos nossa atenção para o mundo iníquo. Conquanto o resumo da História da Igreja tenha nos levado para o dia do juízo e alem dele, retornemos para os eventos que ocorrem pouco antes desse dia final. Como todos esses eventos se agrupam em torno da segunda vinda, é evidente que a expressão “naquela hora” não nos impede de fazê-lo. Na visão, o apóstolo vê que a terra está tremendo. Temos aqui a mesma figura de 6:12. Um terremoto imediatamente precede o juízo final. Já cai uma décima parte da cidade; em outras palavras, a obra da destruição começa. Tão terrível é o terremoto que mata sete mil pessoas. Este é, provavelmente, uma representação simbólica dos acontecimentos alarmantes nas vésperas do juízo final. O número sete mil não deve ser tomado literalmente; ele fala do número completo dos que são destinados à destruição pelo terremoto. Nem todos os iníquos serão destruídos. Aqueles que permanecem vivos ficam aterrorizados e “dão glória ao Deus do céu”. Isso, é claro, não significa que se converteram. Longe disso! Estão, simplesmente, chocados de terror. O Rei Nabucodonosor, em seus dias, muitas vezes glorificou o Deus do céu (Dn 2:47; 3:28; 4:1ss.; 4:34; 4:37). Mas isso não implica que ele era um homem convertido.
Agora tudo está pronto para o juízo final; pois, a despeito de todas as trombetas de advertência, o mundo permaneceu impenitente e, além disso, rejeitou o testemunho das duas testemunhas – a Igreja como uma organização – e as matou (verso 7). Portanto, agora o ajuste final deve ocorrer. Assim, lemos: “Passou o segundo ai, vem aí o terceiro ai”.

[1] Note a diferença nas duas formas verbais no original.
[2] O termo “grande cidade” sempre se refere à Babilônia e jamais à Nova e Santa Jerusalém.

4 comentários:

  1. Mac,

    Show de bola texto. Você sabe que não conheço nada de escatologia e, já que você está de férias, vou te fazer algumas perguntas... hehehehe

    Não entendi a aplicação deste período (1260 dias)... esses dias ainda virão, estão correndo atualmente (se for, desde quando), são "simbólicos", literais?
    O texto diz: "Esse é o período que se estende do momento da ascensão de Cristo até quase o dia do juízo final".
    Poderia me explicar isso ou indicar um texto que me responda algumas destas dúvidas? =)

    Um abraço!

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  2. Fábio,

    É fato comprovado que o Apocalipse usa números em todo o tempo (144.000, 1000, 7, 12.000, 1.260, etc.). Então, como entender esses números?
    Para te dar um exemplo prático e levando em consideração o seu questionamento sobre os 1260 dias, vamos evidenciar alguns pontos pertinentes. Antes de tudo, devemos compreender que Apocalipse é um livro de símbolos, e toda essa simbologia contida nele pode e deve ser entendida com base em outros textos das Escrituras (tanto no N.T. como no A.T.).
    Por ser o Apocalipse um livro simbólico, é um erro interpretá-lo de maneira literal (como os pré-milenistas o fazem). Ainda sobre os números, tendo em mente o contexto em que eles estão inseridos, nunca tencionam informar algo exato (literal), mas sim expressar algum tipo de plenitude (como no caso das duas testemunhas, que simbolicamente representam a igreja).
    O pré-milenismo entende, no caso dos 1260 dias (ou 42 meses, Ap 11:2; 13:5), que esses números se referem a grande tribulação que ocorrerá antes do juízo final e que, nesse caso, é o equivalente a três anos e meio. É um pensamento equivocado e em partes acontece por causa de uma interpretação literal que acaba levando o leitor a achar que todos os capítulos de Apocalipse (do 1 ao 22) segue uma seqüência cronológica, e isso, na verdade, não procede (em breve eu irei postar sobre o paralelismo progressivo, método que mais se alinha com uma sadia interpretação do Apocalipse).
    Então, respondendo a sua pergunta: Sim, esse período de 1260 dias (42 meses, 1000 anos, “um tempo, dois tempos e metade de um tempo”, Ap 11:2; 12:6,14; 13:5; 20:2-5) corresponde a era da Igreja, o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo.
    Um artigo bem legal sobre métodos de interpretação e que pode te ajudar nesse sentido é o do Rev. Augustus Nicodemus, sobre o método gramático-histórico. http://tempora-mores.blogspot.com/2006_06_01_archive.html
    Vou dar uma olhada em outros estudos que tenho e te mando algo via e-mail.

    Um forte abraço.
    Em Cristo, Mac.

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  3. a biblia é bem clara com relação a duas pessoas distintas, e não a milhores de missionarios que saem pregando pelo mundo, ela é clara de sua morte e resureição em 3 dias e meio, e muito clara nos numero de dias que se dizem quase 3 anos e não 2.

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    Respostas
    1. Ao anônimo das 06:49,

      Primeiro, sua observação carece de embasamento bíblico. Se for possível, gostaria que você explanasse melhor suas afirmações, pois, o artigo da postagem, por si só, já é um contra argumento em relação a sua fala.

      Segundo, o art. 5º, inc. IV da CF (Constuição) veda o anonimato na expressão de pensamentos. Sugiro que quando for comentar novamente, identifique-se! Caso contrário, me reservarei ao direito de não publicar seu comentário.

      Em Cristo,

      Mac.

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