segunda-feira, 8 de junho de 2009

A interpretação de Daniel 9:24-27, Parte 4.

...continuação.

IMPORTANTE
: O texto a seguir é de autoria de David Martyn Lloyd Jones. Ele foi pastor da Capela de Westminster em Londres e mesmo depois de sua morte (1981) ele ainda é considerado um dos maiores pregadores da atualidade.


Somos ainda informados no versículo 27 que na metade da semana “Ele fará cessar o sacrifício e a oblação”. Algo está para acontecer em conseqüência da ação dessa pessoa que porá fim aos sacrifícios e oblação. E a última de que somos informados é que “sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a destruição determinada, a qual será derramada sobre o assolador”. Ora, neste ponto a Authorised Version é confusa. A Revised Version, que é muitíssimo superior, traduz: “e sobre a asa das abominações virá aquele que faz assolação”. Essa é uma tradução muito excelente, e na margem da Revised Version há talvez uma nota ainda muito melhor, ou seja: “Sobre o pináculo das abominações virá Um (ou será Um) que fará assolação e até mesmo consumação, e que determinada ira será derramada sobre a desolação e o assolador”. Eis as reais afirmações que nos confrontam. Ora, as palavras: “sobre a asa das abominações”, ou “sobre o pináculo das abominações” são seguramente uma referência à destruição do templo. Começando no próprio pináculo, o templo iria ser completamente destruído.

A grande pergunta que se suscita é esta: qual é a interpretação dos versículos 26 e 27? Há duas escolas principais de pensamento, e os argumentos giram em torno disto: quando ocorrerá a septuagésima semana? O profeta falou de sete e sessenta e duas, mas isso perfaz só sessenta e nove. Quando ocorrerá a semana restante?

Eis outra pergunta que formulamos: os eventos que se acham descritos no versículo 26 ocorrerão na septuagésima semana? Tudo o que somos informados é que ocorrerão “depois de sessenta e duas semanas”, mas lembrem-se de que depois das sessenta e duas semanas vêm as sete, significando que os eventos se concretizarão depois de sessenta e nove semanas. A passagem não diz realmente que os eventos ocorrerão na septuagésima semana, nem se diz que não ocorrerão então. Tudo o que realmente diz é que ocorrerão depois da sexagésima nona semana. Significaria na septuagésima semana? Eis aí a grande questão.

E o terceiro problema em pauta é: quem é “ele” no início do versículo 27?

“E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana.”
Esse “ele” referiria ao Messias no versículo 26? Ou se refere ao príncipe de quem lemos na segunda metade do versículo 26?
Ora, o ponto de vista daqueles que não crêem na divina inspiração das Escrituras, e daqueles que não crêem que a profecia sempre significa predição, é que não podem facilmente explicar tudo isso dizendo que os eventos já há muito aconteceram, e ainda aconteceram antes do nascimento de nosso Senhor e Salvador. Isso, dizem eles, não é senão um relato do que foi feito por um homem chamado Antíoco Epífanes, sendo o ungido um dos sacerdotes de Israel que foi morto por ele. Não é necessário, porém, que gastemos muito tempo em considerar esse ponto, porque ele simplesmente se baseia em pressuposições que excluem a possibilidade de predição e, na verdade, minam a crença na inspiração das Escrituras.

Por isso temos de considerar dois pontos de vista: primeiramente, o ponto de vista que se tornou popular – e continua sendo muito popular entre muitas pessoas – oriundo das conferências de 1830. Aí não posso fazer nada melhor do que ler para vocês uma declaração desse ponto de vista:

“Essas são semanas ou, mais acuradamente, “setes de anos”, setenta semanas de sete anos cada uma. Dentro dessas semanas o castigo nacional deve ser concluído e a nação estabelecida em justiça eterna”.
Pergunto: vocês percebem a significação disso? Diz-se que a nação será restabelecida em justiça eterna. Nesse ponto, porém, alguns de nós querem propor uma questão. Não nos é dito que a nação será restabelecida em justiça eterna; o que se nos diz é que a justiça eterna será introduzida, o que não é a mesma coisa. Mas, vejam, se começarem com a teoria de que os judeus se destinam a ter um lugar especial no reino de Deus, e que Deus ainda Se preocupa com eles de uma maneira especial, e que entrarão no reino por uma porta especial, e assim por diante; então, com certeza vocês terão que enxertar essa idéia em toda parte.
Ora, não nos é possível tratar desse tema por inteiro nesta preleção, mas deixem-me ler o restante dessa exposição para que vocês possam considerá-la quando tratarmos dela na próxima preleção. Ela diz que as setenta semanas são assim divididas: sete (quarenta e nove anos); sessenta e duas (434 anos); uma (sete anos). Nas sete semanas (os quarenta e nove anos) Jerusalém tinha que ser reconstruída em tempos angustiosos (aí, como eu já disse, todos nós concordamos). Isso já se cumpriu como Esdras e Neemias registraram. Sessenta e duas semanas equivalem a 434 anos, e depois disso o Messias tinha que vir. Isso se cumpriu no nascimento e manifestação de Cristo (concordamos novamente). Mas agora, o versículo 26, dizem eles, é obviamente um período indeterminado. Pergunto: seria claro para vocês que o versículo 26 deve ser um período indeterminado? Aí surge uma dúvida. A declaração desse ponto de vista continua:

“A data da crucificação não é fixada; apenas se diz ser depois das sessenta e duas semanas. É o primeiro evento no versículo 26. O segundo evento é a destruição da cidade – cumprido em 70 d.C. Então, mais para o fim vem um período que não é fixado, mas já têm durado quase dois mil anos. A Daniel só foi revelado que guerras e assolações continuariam. Os profetas neo-testamentários revelaram que isso foi ocultado aos profetas veterotestamentários, que durante esse período seriam concretizados os mistérios do reino do céu e o chamamento da Igreja”.
Vejam que esse ponto de vista nos diz que o Velho Testamento nada sabe acerca da Igreja, nada a respeito dos gentios entrando e sendo abençoados e salvos. Prossegue:
“Quando a era da Igreja terminar e começar a septuagésima semana” – percebem a implicação?
Diz-se que há uma grande lacuna de pelo menos dois mil anos entre o fim da sexagésima nona semana e o início da septuagésima semana – uma lacuna introduzida pela interpretação. Somos então informados que o fim desse tempo, quando a era da Igreja terminar e a septuagésima semana tiver começado, é em parte alguma revelado. Dizem:
“Sua duração só pode ser de sete semanas; torná-la maior viola o principio de interpretação já confirmado pelo cumprimento”.
O versículo 27 trata da última semana, e os defensores do ponto de vista que estamos considerando nos dizem dogmaticamente que o “ele” do versículo 27 é “o príncipe que virá” (v. 26), “cujo povo, Roma, destruiu o templo em 70 d.C. Ele é o mesmo”, nos dizem novamente, “pequeno chifre do capítulo 7” – falamos sobre isso na preleção anterior.
“Ele fará aliança com os judeus para restaurar os sacrifícios em seu templo por uma semana” – de fato, não somos informados disso no versículo 27. Mas na metade desse tempo ele quebrará a aliança e cumprirá Daniel, capítulo 12, e Tessalonicenses, capítulo 2. Entre a sexagésima nona semana, dentro da qual o pequeno chifre de Daniel, capítulo 7, concluir seu terrível curso, se interpõe toda a era da Igreja. O versículo 27 trata dos últimos três anos e meio dos sete que são idênticos com a grande tribulação do capítulo 24 de Mateus, o tempo da angústia do capítulo 12 de Daniel, e a hora da tentação do capitulo 3 do Apocalipse.”
Aí está, pois, o ponto de vista tão comumente aceito hoje como a interpretação deste capítulo. Ora, antes de passar a expressar as críticas a esse ponto de vista e recordar-lhes com detalhe a interpretação tradicional protestante antes de 1830, precisamos tentar ponderá-la. As perguntas que vocês devem conservar em mente são as seguintes:

O programa delineado no versículo 24 já se concretizou?

O que dizer das coisas descritas no versículo 26?
Quem é o “ele” no início do versículo 27?
Porventura os eventos descritos no versículo 26 aconteceram na septuagésima semana ou num suposto intervalo entre o fim da sexagésima nona semana e o inicio da septuagésima?
Existiria mesmo uma grande lacuna entre a sexagésima nona semana e o início da septuagésima semana?


Ponderem consigo mesmos sobre essas coisas. Uma parte desse esquema de interpretação, interpretação essa que, como eu já disse, dá aos judeus um lugar especial no eterno propósito de Deus e na vinda do reino é a crença de que o templo será reconstruído em Jerusalém, e sacrifícios cruentos serão introduzidos novamente. Os proponentes desse ponto de vista não aceitam minha interpretação do anticristo apresentada na preleção anterior, mas consideram o anticristo como uma figura inteiramente futura, e associam isso como uma interpretação semelhante do livro do Apocalipse.

O tema é difícil e envolvente, mas uma vez lançado estes princípios e este fundamento, ser-nos-á bem mais fácil prosseguir.


continua...

Um comentário:

  1. Gostei do esclarecimento desta interpretação pois esta bem estabelecido que não só os Irmãos Judeus tem lugar cativo no vindouro julgamento final,passando impune do que fizeram ao longo do tempo ignorando o Senhor Jesus como sendo o Messias mandado pelo Pai.E como nos teremos de procurar ser o mais correto possível quanto as nossas atitudes parante as pessoas que nos rodeiam tratando com Amor uns aos outros independente de qual Nação seja isso serve para o Mundo no Geral.

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