segunda-feira, 1 de junho de 2009

A interpretação de Daniel 9:24-27, Parte 3.

...continuação.

IMPORTANTE: O texto a seguir é de autoria de David Martyn Lloyd Jones. Ele foi pastor da Capela de Westminster em Londres e mesmo depois de sua morte (1981) ele ainda é considerado um dos maiores pregadores da atualidade.

O que, pois, acontecerá durante esse período de setenta “setes”? Somos informados que seis coisas acontecerão, três negativas e três positivas, e são todas elas apresentadas no versículo 24. As três coisas negativas são: primeira, “extinguir a transgressão”, que significa ser eliminada, dar-lhe um fim. Segunda, “dar fim aos pecados”, que significa, por certo, que os pecados estão para ser perdoados; chegarão a um fim, porque serão tratados; serão lacrados; serão extintos. Isso nos leva à terceira coisa, que é: “para expiar a iniqüidade”. Há necessidade de reconciliação. O homem, por causa do pecado, tornou-se estranho a Deus, seu pecado se interpôs entre ele e Deus, e tem de ser removido. Acontecerá algo que porá a iniqüidade de lado, e o homem será reconciliado novamente com Deus. Aí estão as negativas.

Agora, porém, focalizaremos as três positivas. A primeira é: “trazer a justiça eterna”. Que frase grandiosa é essa! A justiça precisa ser introduzida. Ela não está aqui, mas virá; ela faz parte da profecia. Fico nisso por enquanto; continuarei mais tarde. A segunda coisa positiva é: “selar a visão e a profecia”. Selar significa encerrar, concluir, completar. A visão e a profecia caminham para um fim. Deixarei a explicação para depois; agora estou simplesmente apresentando as coisas. E a terceira coisa positiva é: “ungir o Santo dos santos”. Algumas pessoas diriam que isso significa o lugar santíssimo, mas a melhor sugestão é que uma pessoa santíssima será ungida. Essas, pois, são as seis coisas que nos dizem ocorrerão durante esses setenta “setes”.
E assim, no versículo 24 nos é apresentado um programa. Agora, porém, chegamos às perguntas vitais: como e quando tudo isso irá acontecer? E a resposta nos é dada nos versículos 25, 26 e 27. Partimos do versículo 25:

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos”.
Ora, a primeira coisa que notamos aqui é a frase: “desde a saída da ordem”. O que se pretende por essa “saída” da palavra? É aqui que surge a discordância. As pessoas que se sentem desejosas de formar um número exato de 490 anos se vêem obrigadas a diferir entre si quanto ao método de interpretar esta frase. Há quem diga que a saída aconteceu no primeiro ano de Ciro, o que equivale a 538 a.C. Outros dizem que significa o vigésimo ano de Artaxerxes, o que equivale a 445 a.C. Mas, nem uma parte nem a outra podem apresentar prova, e outras pessoas têm ainda outras idéias. Tudo o que sabemos é que o início é marcado por dar ou enviar a ordem. Quando foi isso? A interpretação mais óbvia é que esse foi o tempo quando Deus deu Sua primeira ordem a Ciro, mas não se segue necessariamente que isso foi quando começou a concretizar-se. Antes, foi durante o primeiro debate, durante a primeira indicação, quando Deus primeiro mostrou que tal coisa ia ser feita. Não podemos, porém, prová-lo, e portando quão perigoso é tentar fixar datas! Tudo o que sabemos é que desde a saída da primeira declaração sobre isso até a vinda do Messias, o Príncipe, teria havido um período de sete semanas e sessenta e duas semanas.
Pois bem, observem este termo: “o Messias, o Príncipe”. Na Revised Version, ele é traduzido “o ungido, o Príncipe”, sendo que ungido, tem o mesmo significado que Messias. Contudo é interessante observarmos que a pessoa é descrita como alguém que é a um e ao mesmo tempo ungido profeta e Príncipe, e isso claramente fixa Aquele a quem se refere. O Príncipe não é outro senão nosso próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo. E sobre esse ponto, creio eu, a maioria das pessoas concorda.

“Mas”, perguntaria alguém, “por que essa divisão de sete semanas, sessenta e duas semanas, e no versículo 27, uma semana?”.

As setenta semanas são divididas por nós: sete, sessenta e duas e o restante de uma semana. As primeiras sete cobrem o período da atual reconstrução da cidade destruída de Jerusalém. Os caldeus a haviam destruído, e o remanescente que voltou reconstruiu os muros, a cidade e o templo. Portanto, evidentemente a primeira divisão de sete cobre isso.

Então, seguindo isso, há sessenta e duas semanas para a vinda do Messias e Príncipe, que é evidentemente uma referencia ao primeiro advento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não há muita dificuldade sobre isso, e a maioria das pessoas está disposta a concordar.

Mas quando chegamos ao versículo 26, não há mais acordo algum. Lemos que

“Depois de sessenta e duas semanas será cortado o ungido, e nada lhe subsistirá”.
Ora, essa frase: “nada lhe subsistirá” deve ser lida: “não terá nada”, e isso é como está traduzido na Revised Version. Significa que ele não terá nada que Lhe pertença, nada que possa reivindicar para Si. Essa é a primeira parte da declaração.
O versículo continua dizendo:

“...e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário; e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas desolações”.
E é aqui que existe grande divisão e discordância. A exposição tradicional protestante e reformada é que essa é obviamente uma referência à destruição da cidade de Jerusalém pelo exercito romano em 70 d.C., durante o reinado do imperador Tito. Observem que no versículo 26 essas palavras vêm imediatamente após a afirmação de que o Messias será morto – precisamente como os eventos de 70 d.C. vieram logo após a morte de nosso Senhor. No entanto, segundo a nova escola de pensamento que teve início em 1830, essa é uma referência a algo que ainda está para acontecer. Entretanto, mantenhamos isso em mente por um instante, e avancemos para o versículo 27:
“E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana”.
Ora, nesse caso também não existe uma boa tradução. Talvez a melhor forma de colocá-la seja esta: “Ele fará o pacto firme”, ou “Ele fará o pacto prevalecer”. O importante é que não leiamos: “Ele fará um pacto”. O significado é muito mais forte que isso. A Authorized Version traduz por confirmado, o que comunica uma sugestão correta, mas com muita freqüência pessoas o interpretam como: “Ele fará um pacto”. E não é isso que nos é transmitido. A sugestão é que já havia um pacto em existência o qual Ele fará firme. Ele o estabelecerá. Ele está para torná-lo eficaz.

continua...

4 comentários:

  1. Paz Seja contigo .
    Gostaria de deixa meu comentário embora seja eu defenda e acredite na recente visão pre-milenista tenho grande respeito a os que defendem as demais linhas escatológicas o que me deixou chateado e espero que este site não seja desta maneira, é que em uma certa ocasião participei de uma apresentação escatológica dentro da visão amilenista, ministrada por um Bispo de renome nesta visão onde no decorrer de sua explanação chamou, os pré-milenista de Herege, pela misericórdia do Senhor sempre que ministro sobre escatologia pre-milenista falo aos ministrados sobre a as visões amilenista e pos milenistas e que todos tem fundamentos biblicos, e ensino que acima de qualquer visão escatológica existe um versículo que supera qualquer linha de interpretação." Mais aquele que perseverar até o fim será salvo" o cristão salvo em cristo tem que se apegar neste versiculo.

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  2. Graça e paz, Walter.

    Pessoalmente, eu não chegaria a esse ponto que o tal bispo chegou, segundo mencionado por você.

    Obrigado pela visita.

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  3. Mac, mas vc não concorda que o Pre-milenismo é uma heresia? Então porque seria errado chama-los de hereges?

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    Respostas
    1. Rafel, vou colocar aqui uma fala do Yago Martins sobre uma questão importante:

      "Um erro terrível que nós como fundamentalistas-reformados-conservadores cometemos, e que eu já cometi MUITO no começo do meu calvinismo, é rotular quase toda divergência de heresia: pentecostal, arminiano, dispensacionalista e tudo o quanto não está dentro do Establishment reformado. É uma falta tão grande de conhecimento da posição alheia e uma miopia tão latente com relação a quais são as doutrinas centrais que Deus só é desonrado e a igreja só é dividida. Louvo a Deus porque o convívio constante com cristãos de diversas confissões e a leitura de gente considerada persona non grata me salvou deste tipo de impiedade - aliás, em caso de dúvida, prefiro tratar como irmão. Hoje, só trato como herege os casos mais extremos mesmo (e vocês sabem quem são)."

      Penso como ele.

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