sábado, 9 de janeiro de 2010

A respeito da Grande Tribulação.

Importante: O texto a seguir é de autoria do Dr. Kim Riddlebarger, pastor sênior na Igreja Reformada de Cristo e professor temporário de teologia sistemática no Seminário de Westminster, Califórnia.

Jeremy pergunta:

No sistema amilenista, onde se encaixa a tribulação? Nós estamos vivendo-a agora, ou será um momento distinto antes do retorno de Cristo?

Resposta do Dr. Kim Riddlebarger:


Está é uma questão importante por várias razões. Primeiro, quando a maioria das pessoas pensa na grande tribulação, elas o fazem pela idéia dispensacionalista de que no tempo do arrebatamento o mundo entra em um período de sete anos de tribulação em que o Anticristo chega ao poder após a inesperada remoção de todos os crentes. O Anticristo então faz um tratado de paz de sete anos com Israel, para em seguida voltar-se contra Israel depois de três anos e meio, mergulhando o mundo numa crise geopolítica que termina com a batalha do Armagedom. Os dispensacionalistas acreditam que este é um tempo de terrível crueldade e que a única maneira de ser salvo durante este período é a de se recusar a receber a marca da besta, e não adorar a besta ou sua imagem. O principal problema com esta interpretação é que ela não é encontrada em nenhum lugar nas Escrituras.
A segunda razão pela qual essa questão é importante tem a ver com o surgimento de várias formas de preterismo (hiper-preterismo e os chamados preteristas “parciais”, sendo o primeiro considerado uma heresia) que alegam que Cristo voltou no ano 70 d.C para executar o juízo sobre o Israel apóstata, a cidade de Jerusalém e o templo judaico com seu sistema sacrificial. Aqueles que defendem as várias formas de preterismo acreditam que esta grande tribulação falada por Jesus (Mateus 24:21) veio e se foi com os eventos associados com a destruição de Jerusalém e do templo pelos romanos.
Ter em mente a tendência de relegar um momento de “grande” tribulação para um passado distante ou futuro iminente é importante para a pesquisa do ensinamento bíblico a esse respeito. Como veremos, este tempo de “grande tribulação” não pode ser vinculado exclusivamente aos eventos de 70 d.C., ou ao fim dos tempos. O povo de Deus pode enfrentar esta tribulação em qualquer ocasião entre a tribulação redentora de Cristo na cruz e o fim da presente era.
Praticamente todos os estudiosos concordam que a base para as três referências no Novo Testamento para uma “grande tribulação” (Mateus 24:21; Apocalipse 2:22; 7:14) é Daniel 12:1, onde se lê:
“E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.”
Na profecia de Daniel este período de sofrimento não está relacionado somente ao fim dos tempos (como os dispensacionalistas querem ao mencionar a ressurreição geral nos vs. 2-3), mas a base para que o povo de Deus possa enfrentar a tribulação é a sua fidelidade a aliança dEle, que os capacitará a enfrentar toda perseguição externa (pelo estado) e o falso ensinamento (vindo de dentro) que acaba por causar a apostasia de muitos dos que participam dessa mesma aliança (cf. Daniel 11:30-39; 44; 12:10).
A mesma idéia é encontrada nas cartas às sete igrejas em Apocalipse 2-3. Três das igrejas mencionadas (Éfeso, Sardes e Laodicéia) estão sofrendo muito, e duas outras igrejas estão totalmente comprometidas com o seu testemunho de Cristo (Pérgamo e Tiatira). À luz das lutas dessas igrejas como sendo suas próprias experiências, em Apocalipse 2:22, lemos:
“Eis que a porei [Jezabel] numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.”
Aqui, a “grande tribulação” é imposta sobre aqueles na igreja de Tiatira que se deleitam nos falsos ensinos dessa mulher. Isto, explica o texto, é um momento de “grande tribulação” para os incrédulos (apóstatas).
Em Apocalipse 7:14, um dos anciãos diz a João que:
“Estes [João vê] são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”
Esta passagem refere-se ao remanescente fiel através do tempo que suportou a perseguição do mundo e que tem sido condenado a morte. A este remanescente tem sido dado vestes brancas e cada lágrima é enxugada de seus olhos, estando eles servindo no templo celeste. Eles não mais terão fome nem sede!
Em ambas as passagens de Apocalipse, então, a idéia de uma “grande tribulação” refere-se aos eventos ocorrendo em vários pontos entre a própria tribulação de Cristo na cruz e o final dos tempos. Como Beale coloca:
“A grande tribulação já começou com os sofrimentos e o sangue derramado de Jesus, e todos os que seguem Ele devem igualmente sofrer através dEle.”
Beale continua a dizer que este é o ponto de passagens como Apocalipse 1:9 (onde João afirma que ele já é um participante na tribulação porque ele segue a Cristo); Colossenses 1:24; e 1ª Pedro 4:1-7,12,13 (cf. G. K. Beale, The Book of Revelation, 433-435).
Enquanto Jesus fala de “grande tribulação” em conexão com a destruição de Jerusalém e seu templo – os eventos de 70 d.C. (Mateus 24:21) –, em Apocalipse, João fala de tais períodos de “grande tribulação” como sempre ocorrendo ao longo do curso desta era, possivelmente intensificado no tempo do fim.
Então, com isso em mente, estamos agora em posição de responder as perguntas de Jeremy.

1 – “Onde se ajusta a tribulação?”

Podemos enfrentar a tribulação em qualquer ponto no curso da era interadventual. Na providência de Deus, podemos até enfrentar um momento de “grande tribulação”

2 – “Nós estamos vivendo nela agora?”

Sim e não. Enquanto nós vivemos em uma época onde incrédulos e autoridades do governo atentam em nos perseguir e nos enganar, seguramente isto não é certo para mim (em resposta a esta questão) ao comparar a minha situação atual (na verdade, minha situação durante toda a vida) com a de um cristão que vive em Darfur, ou na China, ou em uma nação muçulmana. Alguns do povo de Deus terão de enfrentar raiva e ódio indescritíveis por todo este período. Alguns serão martirizados, e muitos vão viver em privação. Outros serão poupados e prosperarão grandemente. A razão pela qual alguns sofrem e outros não, não é para ser encontrada no merecimento de cada cristão, mas na misteriosa providência de Deus.

3 – “Será um tempo distinto antes do retorno de Cristo?”

Não no sentido ensinado pelos dispensacionalistas que acreditam em uma tribulação de sete anos que está vinculada ao cumprimento de Daniel 9:24-27. Eu acredito que esta seja uma profecia messiânica já cumprida em Cristo. Mas haverá um aumento da tribulação (tanto em intensidade quanto em freqüência) antes do tempo do fim? Eu diria que é uma possibilidade real, e a Bíblia nos adverte que podemos ser chamados a sofrer durante um tempo de “grande tribulação”, enquanto ao mesmo tempo nos encoraja com a promessa do Deus de graça todo-suficiente sob as mais difíceis circunstâncias.

Traduzido por MAC.

2 comentários:

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